segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Filme-testamento de Almodóvar é um drama pelo fazer cinema

Todo sobre mi madre (1999) - Direção: Pedro Almodóvar

Talvez seja o filme mais sincero do diretor, certamente, todas as marcas ridículas e brilhantes de seu cinema se fazem presente nesse belo filme cheio de citações (All About Eve, o filme de Joseph L. Mankiewicz, além de Noite de Estréia, de John Cassavetes) e pontuado por boas atuações (ele parece ter feito o filme de forma que coubesse todas suas musas: Penélope Cruz, Cecilia Roth e Marisa Paredes). Uma bela homenagem do cineasta ao universo feminino - que aqui, parece ser bem maior do que aquilo convencionalmente aceito.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Guerra ao terror: filme definitivo sobre a Guerra do Iraque

The Hurt Locker (2008) - Direção: Kathryn Bigelow

Bigelow conseguiu a mesma proeza que à sua época conseguira Coppola com a abordagem da guerra efetuada por Apocalipse Now. É de se louvar o fato de que a diretora estadunidense de 58 anos optou por, através da predominância do suspense psicológico, retratar um bocado da loucura que paira sobre a guerra insana que é travada no Iraque. Mais que isso, Bigelow faz um estudo caprichado de personagens reais, de facetas não mais que humanas. Nesse ponto, "Guerra ao Terror" amplia seu espectro para um destino icógnito, onde o horror torna-se algo rotineiro.

Pode-se dizer que The Hurt Locker vai abocanhar diversos prêmios no próximo Oscar. Apesar de que provavelmente teremos um Tarantino concorrendo, o filme de Bigelow, certamente entra como o favorito a premiação. Tarantino, realmente não tem cara de Oscar, mesmo fazendo uma das grandes obras-primas da dácada - Inglorious Basterds.

"Guerra ao Terror" fala de um grupo de soldados da elite do exército americano, encarragados de desarmar bombas implatadas por terroristas que tentam desestabilizar o poderio estadunidense no Iraque. Tudo, é uma nóia só. Todos, de crianças a idosos, são prováveis inimigos.

A direção segura de Bigelow optou por colocar uma câmera tremida que acompanha aqueles soldados como se fizesse parte daquelas missões. Capta com maestria à intimidade daqueles, mostra seus medos, sua loucura, sua compaixão pelo inimigo. O que a diretora parece nos dizer, é que sob aquele véu de profissionalismo daquele esquadrão, esconde-se pessoas que não entendem bem o porque daquilo tudo, que torcem para se ver livre daquilo tudo, ou vêem naquilo tudo sua razão de vida. Enquanto um soldado não vê a hora de voltar pra seu país e ter um herdeiro, outro quando retorna é apenas para ver seu filho e voltar, talvez para uma última missão.

Personagens densos e bem interpretados compõem a trama. Dentre eles, o eixo da narrativa focaliza-se, sobretudo, no Sargento William James - interpretado com afinco por Jeremy Renner, que chegara para substituir um colega morto em missão. Com centenas de missões completadas, William parece adotar uma personalidade que mistura loucura e irresponsabilidade. Ele aparentemente distoa do medo de seus colegas, e apesar de ser o líder se seu grupo, toma decisões exageradas, mas que dão certo. Todavia, William não é um herói clássico, talvez ele seja mais um louco, pelo qual o perigo da guerra tornou-se a razão de seu viver.

Nesse interim, o que se destaca de fato no filme é o clima de tenssão que Bigelow cria em suas cenas, o que se completa pelas cenas de ação eletrizantes, além do estudos da situação e dos personagens, sempre de uma forma muito sincera, muito bem colocada pela diretora. Nisso, contribui o excelente trabalho de perícia técnica do filme, seja na belíssima fotografia, ou na não menos que espetacular e bem colocada Trilha Sonora do longa. The Hurt Locker impressiona pela categoria como trabalhou tão gasto tema, pela maturidade de Bigelow, que entregara um trabalho digno de mestres.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Bergman em frames II : Persona





Persona (1966), Direção: Ingmar Bergman

Um dos filmes mais difíceis de Bergman, certamente, um dos que o diretor melhor trabalha, melhor tem idéia do que sua arte é capaz. Reflete, inclusive, sobre os limites daquilo que faz. Mais além, Bergman, monta através de suas duas personagens - uma que nada fala em toda a película - um emaranhado de análises sobre questões que passariam a o inquietar a partir daquele momento de sua filmografia.

Um dos grandes destaques fica para a cena de um dos diálogos mais sensuais da história do cinema, onde a enfermeira conta a paciente sobre uma orgia da qual participara.





Qual o futuro de Mallu?


A musicalidade de Mallu é, certamente, incompreendida por parte da mídia pop brasileira. Antes de tudo, da jovem moça folk acaba-se vendendo, criando, transmitindo uma imagem mais ligada à precocidade de suas composições - até eu me lembre, poucas pessoas compunham com tanta intensidade com a idade de Mallu.

A menina meiga, sincera e verdadeira diante da Tv - lembro-me que ela recusou-se a falar do namoro com Marcelo Camelo ao "glorioso" Faustão - um dia vai poder olhar pra si, com mais maturidade e refazer os caminhos de sua personagem artítica.

Vejo, que Mallu tem um futuro promissor. Já cheguei a dizer que sua música é algo em um constante amadurecimento, assim como sua compositora, e que o futuro pode vir a nos mostrar uma Mallu que amplie sua influência para além do folk, desde que não caia nas armadilhas do consumismo de massa.

Sam Raimi: um diretor honesto

Drag Me to Hell(2009) - Direção: Sam Raimi

Sam Raimi, diretor da franquia caça-níquies Homen Aranha, decidira em seu último trabalho, Arrasta-me Para o Inferno, retornar ao estilo - nesse filme esse termo encaixa-se ao máximo - que maracava seus primeiros filmes: o terror trash.

Nada freia o sentimento de honestidade com o gênero do qual Raimi trilha. O filme, em sua essência é uma eterna brincadeira roteirística, onde o que importa é a cena em si, a emoção dela sem si mesma.

Negativamente fica a falta de um melhor apuro estético, seja em compôr um cenário interessante, seja em situar o clima do filme através de uma trilha sonora macabra, o que não acontece. Todavia, o grande mérito do filme fica pela direçãos segura de Raimi, que quando parece que vai estragar o filme com desfechos medíocres, nos brinda com furos de roteiro e cenas brilhantemente engendradas. Talvez estique demais sua premissa, dê reviravoltas demasiadas, explique demais, até. Certamente, Raimi fez um filme divertidíssimo e saldosista a um gênero que parece estar perdido nas duas décadas anteriores.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Uma aberração musical

Móveis coloniais de Acaju

É um tormento. Assim como uma imensa leva de bandas do circuito dito "alternativo" brasileiro, Móveis blá, blá, blá... é uma banda chata, de músicas mais chatas ainda. Um querer misturar metais com guitarras pop, apelar para uma falsa harmonia geral de grupo, sempre alegres, pulando, todos participando ativamente do show, é algo que definitivamente na pele dessa banda não me convence.

O cantor, coitado, jura, através de modinhas e estilozinhos perfomáticos, ter presença de palco, é o mais irritante da trupe. As músicas, uns pseudo-frevos românticos, brega, é tudo aquilo que a MTV tenta criar para o cenário da música nacional, e decididamente nunca vai me agradar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Os Donos da Noite: o melhor de Gray

We Own the Night, 2007 - Direção: James Gray

James Gray veio chamar muito a atenção da crítica com seu recente "Amantes" - um tanto superestimado, diga-se de passagem -, em 2007, com "Donos da Noite", drama urbano que utiliza de um roteiro quadradinho para reforçar a força que cada um de seus personagens tem, passara quase despercebido pelas premiações pelo mundo.

"Donos da Noite", se passa em Nova York, ano de 1988, quando uma nova droga invade a cidade, trazendo no seu rastro uma onda de crimes aterradora, Bobby Green (Joaquin Phoenix) está num fogo cruzado. Ele é o gerente de uma discoteca freqüentada por gângsteres, mas pretende não se envolver. Apesar do estilo de vida amoral e hedonista, ama sua noiva e sonha abrir sua própria discoteca. Mas Bobby tem um segredo muito bem guardado: seu irmão é um tenente de polícia, que segue os passos de seu pai, o lendário chefe de polícia Burt Grusinsky (Robert Duvall). Bobby não se dá bem com eles e a relação piora quando seu pai o adverte que é uma guerra e que ele deverá decidir de que lado está.

O grande mérito do jovem diretor judeu, ruivo, e com cara de nerd, em "Donos da Noite", é conseguir até de atrizes como a somente bela Eva Mendes conscistentes atuações. O rapper Mark Wahlberg na pele do polícial Joseph Grusinsky , irmão de Bobby, aqui, despe-se de toda aquela caricatura exagerada de policial que fizera em "Os Infiltrados" do mestre Scorsese. É interessante perceber, como a gritante semelhança entre os dois personagens que Wahlberg é resignificada por Gray, sem os exageiros desnecessários, sem a rajada ensurdecedora de palavrões do personagem criado por Scorsese.

Todavia, a Anna Karina de Gray é Joaquin Phoenix. Em "Amantes" a análise é ainda maior em torno do personagem interpreta, em "Donos da Noite", tal com acontecera com Michael Corleone em "Poderoso Chefão: Parte I", o personagem sofre uma mutação de princípios, torna-se um outro, tão ou mais identificado com o público.

Os filme de Gray carregam uma simplicidade imprecionante no trato narrativo, não há labirintos nem grandes estipulias demasiado herméticas na obra de Gray. O que importa é uma boa história com personagens inesquecíveis, que tenham uma vida própia no universo do filme. Estereótipos - traficantes, por exemplo - estão lá, eles são necessários a qualquer filme.

As trilhas sonoras dos filmes de Gray são no mínimo, encantadoras, embalam a trajetória geralmente noturna que seguem os personagens de Gray pela Nova York sobretudo judia no qual Gray ambienta seus filmes. Em "Donos da Noite", a fotografia que utiliza muito de tons dourados é precisa no que se refere a uma ambientação, a criar uma identidade para a obra, bem como também para reforçar o clima daquelas frias noites nova yorkinas.

Vendo hoje, "Donos da Noite" realmente marca pela bela história que consegue transmitir com maestria, mais ainda, por nos fazer perceber o quão interessante pode ser um personagem bem construído. Gray fez sua obra-prima.