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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Bergman em frames II : Persona





Persona (1966), Direção: Ingmar Bergman

Um dos filmes mais difíceis de Bergman, certamente, um dos que o diretor melhor trabalha, melhor tem idéia do que sua arte é capaz. Reflete, inclusive, sobre os limites daquilo que faz. Mais além, Bergman, monta através de suas duas personagens - uma que nada fala em toda a película - um emaranhado de análises sobre questões que passariam a o inquietar a partir daquele momento de sua filmografia.

Um dos grandes destaques fica para a cena de um dos diálogos mais sensuais da história do cinema, onde a enfermeira conta a paciente sobre uma orgia da qual participara.





Sam Raimi: um diretor honesto

Drag Me to Hell(2009) - Direção: Sam Raimi

Sam Raimi, diretor da franquia caça-níquies Homen Aranha, decidira em seu último trabalho, Arrasta-me Para o Inferno, retornar ao estilo - nesse filme esse termo encaixa-se ao máximo - que maracava seus primeiros filmes: o terror trash.

Nada freia o sentimento de honestidade com o gênero do qual Raimi trilha. O filme, em sua essência é uma eterna brincadeira roteirística, onde o que importa é a cena em si, a emoção dela sem si mesma.

Negativamente fica a falta de um melhor apuro estético, seja em compôr um cenário interessante, seja em situar o clima do filme através de uma trilha sonora macabra, o que não acontece. Todavia, o grande mérito do filme fica pela direçãos segura de Raimi, que quando parece que vai estragar o filme com desfechos medíocres, nos brinda com furos de roteiro e cenas brilhantemente engendradas. Talvez estique demais sua premissa, dê reviravoltas demasiadas, explique demais, até. Certamente, Raimi fez um filme divertidíssimo e saldosista a um gênero que parece estar perdido nas duas décadas anteriores.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Os Donos da Noite: o melhor de Gray

We Own the Night, 2007 - Direção: James Gray

James Gray veio chamar muito a atenção da crítica com seu recente "Amantes" - um tanto superestimado, diga-se de passagem -, em 2007, com "Donos da Noite", drama urbano que utiliza de um roteiro quadradinho para reforçar a força que cada um de seus personagens tem, passara quase despercebido pelas premiações pelo mundo.

"Donos da Noite", se passa em Nova York, ano de 1988, quando uma nova droga invade a cidade, trazendo no seu rastro uma onda de crimes aterradora, Bobby Green (Joaquin Phoenix) está num fogo cruzado. Ele é o gerente de uma discoteca freqüentada por gângsteres, mas pretende não se envolver. Apesar do estilo de vida amoral e hedonista, ama sua noiva e sonha abrir sua própria discoteca. Mas Bobby tem um segredo muito bem guardado: seu irmão é um tenente de polícia, que segue os passos de seu pai, o lendário chefe de polícia Burt Grusinsky (Robert Duvall). Bobby não se dá bem com eles e a relação piora quando seu pai o adverte que é uma guerra e que ele deverá decidir de que lado está.

O grande mérito do jovem diretor judeu, ruivo, e com cara de nerd, em "Donos da Noite", é conseguir até de atrizes como a somente bela Eva Mendes conscistentes atuações. O rapper Mark Wahlberg na pele do polícial Joseph Grusinsky , irmão de Bobby, aqui, despe-se de toda aquela caricatura exagerada de policial que fizera em "Os Infiltrados" do mestre Scorsese. É interessante perceber, como a gritante semelhança entre os dois personagens que Wahlberg é resignificada por Gray, sem os exageiros desnecessários, sem a rajada ensurdecedora de palavrões do personagem criado por Scorsese.

Todavia, a Anna Karina de Gray é Joaquin Phoenix. Em "Amantes" a análise é ainda maior em torno do personagem interpreta, em "Donos da Noite", tal com acontecera com Michael Corleone em "Poderoso Chefão: Parte I", o personagem sofre uma mutação de princípios, torna-se um outro, tão ou mais identificado com o público.

Os filme de Gray carregam uma simplicidade imprecionante no trato narrativo, não há labirintos nem grandes estipulias demasiado herméticas na obra de Gray. O que importa é uma boa história com personagens inesquecíveis, que tenham uma vida própia no universo do filme. Estereótipos - traficantes, por exemplo - estão lá, eles são necessários a qualquer filme.

As trilhas sonoras dos filmes de Gray são no mínimo, encantadoras, embalam a trajetória geralmente noturna que seguem os personagens de Gray pela Nova York sobretudo judia no qual Gray ambienta seus filmes. Em "Donos da Noite", a fotografia que utiliza muito de tons dourados é precisa no que se refere a uma ambientação, a criar uma identidade para a obra, bem como também para reforçar o clima daquelas frias noites nova yorkinas.

Vendo hoje, "Donos da Noite" realmente marca pela bela história que consegue transmitir com maestria, mais ainda, por nos fazer perceber o quão interessante pode ser um personagem bem construído. Gray fez sua obra-prima.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Espírito da Colméia

El Espíritu de la colmena, 1973 - Direção: Victor Erice - Elenco: Teresa Gimpera, Ana Torrent, Fernando Fernán Gómez, Isabel Tellería.

Interessante premissa é sabotada pela falta de ousadia do diretor Victor Erice. Ainda que tente, "O Espírito da Colméia" acaba sendo uma história mal explorada e que sobressai pela perícia técnica.

Embora filme com talento de quem sabe explorar ao máximo cada plano de seu filme, Erice peca e muito na forma distanciada e medrosa de utilizar seu roteiro, tanto que, ao final, fica uma enorme ponta de decepção - e olha que o filme custa muito a engrenar.

Erice também se destaca na direção de seus atores, sobretudo os infantis. A fotografia serena dá ao ambiente um tom de neblina interessante. Todavia, a Trilha Sonora parece destoar daquilo que faz a Fotografia, Erice e seu roteiro, mais ainda.

Toda essa decepção, começa no interior da Espanha, em tempos de guerra. Um cinema passa pelo lugar, exibe "Frankestein"; duas garotinhas, as irmãs: Ana (Ana Torrent) e Isabel (Isabel Tellería) estão determinadas a encontrar essa estranha figura de que passará pela região. Acontece que o foco muda, quando à procura dessa criatura, uma das meninas acha um fugitivo de guerra, ao qual ela acredita tratar-se de "Frankestein". Afeiçoa-se a ele, mas terá uma surpresa tempos depois. Para nós, o tempo para a surpresa é curto, e a surpresa é rasa e decepcionante.

Erice arrasta demais seu filme, no sentido narrativo mesmo. Direcionar todo o longa em cima do pensamento de uma criança é uma atitude corajosa, e que deve ser controlada sabiamente, o que não acontercera por parte de Erice.

O não mais que sonolento filme de Erice revela-se uma decepção, ainda mais porque dizem por aí que é a grande fonte de uma profícua leva de filmes espanhóis com tons de terror/suspense surgidos nos últimos anos. Falta muita substância maturidade cinematográfica a "O Espírito da Colméia", que fica apenas como uma bela fotografia filmada em belos planos, com atuações espontâneas de seu elenco infantil. Faltou contar bem a boa história.